Tradução: Lucas Simone
Editora: Antofágica
Páginas: 160
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse: E se, um belo dia ao acordar, você não encontrasse mais o seu nariz? Respire fundo antes de entrar nesta história, Gógol está prestes a deixá-lo sem ar. Ilustrado por Nicholas Steinmetz, com apresentação de Tamy Ghannam, este conto é explorado de forma mais profunda nas videoaulas de Raquel Toledo.Em uma manhã como qualquer outra, um barbeiro, conhecido pela quantidade de sangue que faz jorrar do rosto de sua clientela, toma seu café da manhã. Ao afundar a faca sobre um pão recém-assado, encontra um ingrediente que não estava na receita: um nariz.Do outro lado da cidade, seu cliente, o assessor colegial Kovaliov, acorda e dá de cara com uma panqueca. Não em seu prato, infelizmente -- trata-se de seu próprio rosto no espelho, liso como uma massa corrida, carente de qualquer resquício de um nariz.Publicado em 1836, este conto reúne o que há de mais marcante na escrita de Nikolai Gógol: a comédia, a cultura popular, a sátira política e a crítica à burocracia. A insólita história de um duplo, permeada pelo fantástico, absurdo e pelo grotesco, tem como cenário a fria e burocrática cidade de São Petersburgo.
Um dia um barbeiro encontra um nariz no pão do café da manhã e em meio ao choque consegue reconhecer quem seria o dono - o assessor colegial Kovaliov - e é simplesmente assim que começa O Nariz de Nikolai Gógol, um clássico da literatura russa.
Sempre tento ler um ou dois clássicos por ano, e a literatura russa era que eu sempre mais fugia, por geralmente se tratarem de calhamaços (que eu sou super enrolada com eles) e ainda tem a questão da linguagem rebuscada, mas quando descobri O Nariz, que era curto e uma farofa precisei conferir.
Fico muito feliz de encontrar uns clássicos mais farofas, pois é legal demais pensar que uma cena pensada para divertir alguém de outro país em outro século está me fazendo rir em pleno século 21 no Brasil, e considerando que foi pensado para um público que está do outro lado do globo fica mais interessante ainda. Além de O Nariz consigo colocar também Os Três Mosqueteiros nesse balaio de clássicos farofas, em que a cena do D’Artagnan chegando em Paris é o auge da apresentação de personagem.
Os textos de especialistas presente na edição deixa tudo mais classudo e técnico as características de como os absurdos são abordados na narrativa - é desenvolvido o conceito de “duplos” nesses textos - mas esse recurso eu enxerguei com a mesma energia da suspensão de descrença dos teatros, em que conceitos e ambientações complexas ficam só na imaginação mesmo, além de que não dá para esperar explicações muito científicas rolando, coisa x aconteceu e pronto, continue lendo/acompanhando por favor.
Como curiosidade quase aleatória, o autor Nikolai Gogol colocou influências ucranianas no seu trabalho por conta de suas raízes ucranianas, mesmo estando sediado na Rússia, e é por isso que a banda Gogol Bordello tem esse nome (essa banda tem um som delícia & farofa), por ter se inspirado na postura do trabalho dele.
No início achei a escrita um pouco rebuscada, mas me adaptei bem rápido com o jeito do livro. A edição da Antofágica é recheada de ilustrações, e no meu ranking de ilustrações da Antofágica, está na frente da edição de O Grande Gatsby, já que aqui eu vi mais propósito e um traço mais bonitinho nas ilustrações.
Só para colocar uma analogia à narizes na resenha, O Nariz é uma farofa tão saborosa que chega dá para sentir o cheiro da manteiga.








