Tradução: Antônio Xerxenesky
Editora: Antofágica
Páginas: 440
Avaliação: 🌟🌟🌟🌟🌟
Sinopse: Obrigado por acessar sua teletela e aproveite para conhecer uma das mais marcantes obras de ficção do século XX, agora em nova edição com 115 ilustrações de Rafael Coutinho, nova tradução de Antônio Xerxenesky e apresentação de Gregório Duvivier. O Grande Irmão está te observando.Em uma sociedade em constante estado de guerra contra outros países e contra os inimigos do sistema, cada cidadão deve viver sob a permanente vigilância das teletelas. Qualquer sinal de comportamento ou pensamento desviante da ideologia do Grande Irmão é severamente punido pela Polícia do Pensar.Funcionário do Ministério da Verdade responsável por reescrever notícias e registros históricos, Winston Smith atua alterando o passado e, assim, o presente. Treinado para obedecer e calar, ele começa, no entanto, a questionar essa realidade. Seus atos de rebeldia contra o sistema, como ousar manter um caderno subversivo, parecem mínimos, até que ele se depara com a oportunidade de fazer algo maior e colocar sua vida em risco por uma sonhada mudança.Publicado originalmente em 1949, este clássico de George Orwell é uma obra fundamental sobre opressão e totalitarismo e possibilita inúmeros paralelos com o momento que vivemos, 70 anos depois. A nova edição da Antofágica, além de contar com tradução de Antônio Xerxenesky, ilustrações de Rafael Coutinho e apresentação de Gregório Duvivier, também traz textos extras de Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública, Débora Reis Tavares, estudiosa de Orwell, Ignácio Loyola Brandão, um dos principais autores contemporâneos e membro da Academia Brasileira de Letras e do jornalista Eduardo Bueno, criador do canal Buenas Ideias no Youtube.
Eu tinha vontade de ler 1984, mas não era uma prioridade minha, em especial no meio de uma pandemia, em que eu estou fugindo de ler distopias, mas rolou a promoção dos livros 0800 da Amazon e eu consegui pegar ele e cá está a resenha!
Para ler 1984 você já vem com uma bagagem de impressões e memes antes de abrir o livro, e o tom de texto que eu imaginava que encontraria durante todo o livro só começou no ponto de virada da história, que foi quando o protagonista leu um livro proibido e o negócio só vai fritando cada vez mais os neurônios a cada página, em que o protagonista vai aprendendo mais sobre a realidade deturpada que ele vive e como ela sabe ser invencível.
Uma coisa que eu adorei desde o início foi tudo o que gerava em torno do uso da novilíngua - uma linguagem criada para reduzir o vocabulário totalmente escorada no uso de prefixos e sufixos e por consequência diminuir a capacidade de pensamentos das pessoas, pois me fez lembrar de dois pontos: que a língua está em constante mudança conforme as necessidades e/ou vivências (como a origem da palavra “você” ou a necessidade de uma linguagem neutra), e também de um artigo que vi há um bom tempo atrás que o idioma pode mudar a percepção do tempo, daí imagina o que um idioma fabricado para um certo fim pode fazer né? Na procura do artigo encontrei outro sobre idiomas que achei interessante e quero linkar abaixo também.
Leia também: Percepção do tempo pode mudar conforme o idioma ♦ Falar vários idiomas pode deixar você com várias personalidades
"A novilíngua, de fato, diferia da maioria das outras línguas, pois seu vocabulário encolhia ano a ano, em vez de crescer. Cada redução era um ganho, pois quanto menor a gama de escolhas, menor a tentação de refletir."
Durante a leitura eu estava com uma impressão mega estranha da forma que o George Orwell estava desenvolvendo a única personagem feminina relevante, daí resolvi abrir as listas no Goodreads que tem o livro 1984 e encontrei ele numa lista de “autores que não sabem escrever personagens femininas” e olha, errado não está, a Júlia mandar um recado escrito “Eu te amo” está entre as coisas mais nada a ver que eu li esse ano e o resto que é desenvolvido sobre ela só tem um tom um pouco melhor.
Sobre postura de governo e regimes políticos eu nem quero entrar muito no tema para não colocar os neurônios para ferver mais ainda, mas é só ver o que os governantes valorizaram mundo afora no meio da pandemia e quais que regularam os dados sobre o coronavírus para saber que existem muitos Ministérios da Verdade por aí.
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| Colagem com alguns exemplos de ilustrações que são encontradas na edição de 1984 da Antofágica |
A edição do livro é belíssima e as ilustrações se misturam com a diagramação do livro de forma bem interessante, mas cravei a opinião após ler 1984 e O Grande Gatsby nas edições da Editora Antofágica, que as edições de luxo dela não são do tipo que me faz querer todas na estante, pois são maravilhosas do lado de fora, mas não gosto do estilo das ilustrações e aqui chegou perto do exagero de tantas ilustrações e esquemas que conversam com o texto.





