Crônicas | Uma nova amiga

09:00

Depois de uma semana de provas daquelas, acabei colocando mais uma coisa na minha lista de satisfações da vida: passar uma tarde chuvosa em frente ao computador, nada como reclamar da vida no Twitter, reblogar fotos de gatinhos no Tumblr e salvar umas receitas que parecem maravilhosas do Pinterest, uma tarde perfeita é claro se não caísse o sinal da internet (desligar e ligar o roteador não funciona, já tentei). Mas ligar a internet no celular ou ligar para assistência técnica resolveria tudo não é mesmo?

Se eu tivesse créditos no celular.

Ganhei o fim de semana sozinha em casa com incríveis quinze centavos de crédito no celular ("ah, mas para quê se preocupar com a recarga do celular se ele faz até ligações usando o Wi-Fi?") e cá estou eu olhando para a panela de brigadeiro vazia, que se estivesse uma boca estaria usando para rir da minha cara.

"Vai trouxa, usou este corpinho sensual para fazer brigadeiro quando tinha sinal de internet e agora está sem nada para fazer!" A panela diria.

Esta frase imaginária da querida panela me faz levantar da escrivaninha para ir encarar o meu maior inimigo (ou seria o maior inimigo da minha rinite?): o escritório do meu pai, papéis datados da época do guaraná com rolha, pastas com datas anteriores à criação da charrete (curiosidade: a primeira charrete com plaquinha personalizada tinha como frase: "Dirigido por mim, guiado por Hermes") e muitos vinis, 50% dos motivos de eu arriscar a entrar nesse cômodo é por causa do meme vivo: a capa de vinil com o Caetano Veloso, aquela com o cara sorrindo de um lado e pistola do outro, já os outros 50% envolve eu pedir grana para o meu velho, sendo que sempre entro usando máscara do Zorro para não atacar a rinite.

Hoje eu entro com autoestima de guerrilha: enfrento o recinto sem a máscara e com uma meta: achar música boa no meio dos vinis, até porque não sei grego antigo para me enfiar nas pastas, os vinis ficam nas prateleiras abaixo do meme vivo enquadrado (sim, quando o meu pai descobriu o uso da imagem do vinil fez questão de enquadrar e virou ponto turístico dos sobrinhos), o primeiro que eu puxo na prateleira em cima é de uma banda chamada Biquíni Cavadão e espero que isso seja um sinal de que o fim da tarde promete, ou apenas que as bandas nacionais já nascem com o objetivo de ganhar as pessoas pelo nome, estou falando de você Plutão Já Foi Planeta e Massacration.

Depois de um encarte do Paralamas do Sucesso, um do Grateful Dead, um do Bob Dylan (ei mãe, finalmente li alguém que ganhou um Nobel de Literatura!) e um do Leandro e Leonardo, a rinite deu o ar da graça e resolvo encarnar um Zorro dançarino, que por pouco não virou a Shakira no clipe de Hips Don't Lie quando começou a tocar Bon Jovi na vitrola, e não foi porque eu me segurei, foi porque eu não tenho o rebolado daquela mulher.

"Meu amigo, não abra mão dessa vitrola pois ela emite o melhor som, o som do CD nem chega aos pés de um som tirado de um vinil. Mas qualquer coisa é só doar para mim." É o que ouço depois de umas latinhas de cerveja e umas músicas do Amado Batista em todo churrasco em casa, não sou capaz de opinar sobre as maravilhas técnicas do aparelho, mas que o meliante virou um xodó ele virou.

A criança precisa de atenção, você tem que virar o lado do disco para ele reproduzir mais maravilhas, ainda bem que não ouvi Johnny Cash com uma pinga do lado inclusive... E quando já acabou os lados tem que escolher um novo amor para a vitrola espalhar a glória de mais acordes, um sábio (vulgo: um dos meus personagens de séries favoritos) disse que a música está no silêncio entre as notas, mas no silêncio a vitrola está dizendo: manda mais que eu estou querendo brilhar, e não tem como negar um pedido desses.

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